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sábado, 13 de março de 2010

conhecendo mamãe

Dica para a mulherada: o cara somente leva o relacionamento a sério mesmo, como algo a ser respeitado, no dia em que te leva para conhecer os pais. Até então, tudo é farra e diversão. Não há compromisso. Não se sinta constrangida em saber disso. Facilita as coisas. É melhor do que ser pega de surpresa e jogar algo na cara da gente.

O que está escrito acima é fato. Se quiser, faça as contas. Use a lógica e verifique por si mesma. Quantos namorados deram continuidade ao lance sem apresentá-la aos pais? Pense um pouco. Em três encontros a gente sabe se a parada dá ou não em rock. Não precisa mais do que isso. A não ser que o cabra seja sonso.

Saiba de uma coisa: a simples ideia de apresentar a mãe nos gela a barriga. Não que sua sogra seja uma megera cruel. Longe disso. Toda a imagem de boa pinta que a gente construiu para firmar o golpe corre o risco de dar com as vacas no brejo. E isso tem causa simples. A mãe da gente nos conhece melhor do que ninguém. Sabe de todos nossos podres. Nada melhor do que mãe para exumar cadáver. Ser mãe deveria ser pré-requisito para trabalhar no IML.

A gente, certamente, preferiria falar com o pai sobre futebol, mas o risco de deixá-la sozinha com a mãe causaria danos inimagináveis à reputação. Melhor não. Mamãe vai dissecar os primeiros anos de escola; contar cada uma das bobagens que a gente faz porque não tem juízo de uma minhoca.

Um dos piores momentos da primeira visita na casa de nossos pais – para a gente, que fique claro – é quando a mãe traz os álbuns de fotografia. A dor, a dor. Tudo o que não presta está lá, escancarado para se ver. A boca banguela, os dentes tortos. As roupas estranhas. Os anos 80 foram péssimos para a gente; o gosto era terrível. Do Kichute ao Conga, passando pelos moletons e cabelos arrepiados. “Era moda do Chitãozinho e Xororó”, justificava mamãe.

- Venha aqui. Tenho uma foto histórica para te mostrar, querida.

- Qual é?

- Essa aqui, dele vestido de Batman. Devia ter uns sete anos. Veja só, ele está fazendo xixi no jardim. Acho que foi a última vez que vi a pingolinha dele. Deve ter crescido mais, né?

Não caia nessa armadilha. Mãe é foda. Até nisso joga verde. A gente fica de olho na namorada para ver se denuncia qualquer coisa; se balança a cabeça positivamente ou negativamente. Dica, mulherada: não faça absolutamente nada. Não ria, se puder. Seja contida. Não demonstre seus sentimentos sobre este aspecto. Qualquer reação mais óbvia e tudo corre o risco a se perder. É assunto da intimidade da gente. Não o revele para mamãe. Tortura chinesa é mais agradável.

Toda sorte de modismo da época era suficiente para mamãe tentar ver se funcionava com a gente. E o pior, todos esses pequenos crimes contra o bom gosto eram devidamente registrados pela fotografia. Seja a apresentação de escola em que a gente, maquiado, vestia um maiô cortado no umbigo para representar Lion-o, dos Thundercats; seja pela imagem degradante de uma birra flagrada por causa de, sei lá, qualquer diacho de coisa que não seria possível por uma série de razões que, à época, não fazia nenhum sentido.

Com o fim das fotos, surgem as histórias. Nunca, jamais, em momento algum, caia na besteira de puxar assunto ao perguntar como a gente era na infância. Por Deus, nos poupe da vergonha. O horror, o horror – o coração das trevas teria outro sentido para Joseph Conrad.

- Como ele era quando pequeno?

Por favor, não faça isso. A gente implora. Não há necessidade de nos ver mais humilhados. Guarde-nos um pouco de sofrimento e autopiedade para a segunda visita. Não consuma toda nossa história de uma vez. Você já é dona do nosso coração; não precisa roubar também nosso passado. Deixe-o lá, para trás, que é onde deve descansar.

- Ele chorava quando tocava Ursinho Pimpão, do Balão Mágico. Lembra? A do ursinho querido? Assim que a Simony cantava, ele já estava sobre a árvore em prantos. Era uma gracinha...

Acredite quando digo que conhecer a sogra é – ainda que seja um suplício para a gente e revelador para você – uma autêntica e honesta prova de amor.
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