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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O Pequeno e o Grande Pianista
Parte 3
 (...)A surpresa ao ver o filho sentado ao piano sorrindo e o patrão incentivando-o demorou para abandoná-la e, aproximou-se, levou a primeira repreensão do patrão: —Dona Thalita, não vê que eu estou dando aulas ao meu aluno? Vá cuidar do seu serviço e não nos incomode! A voz orgulhosa do pianista voltara e Thalita foi telefonar ao médico do patrão:
—Doutor... É Thalita... O senhor tinha razão, o patrão só precisava de um motivo para continuar vivendo... Sim eu acho que ele o achou...
Os meses de fisioterapia não fizeram tanto efeito como as teclas do  piano, os dedos de papai começaram a responder e, com a fisioterapia, em um ano já conseguia tocar algumas canções ao lado de seu aluno favorito.
Os dois tornaram-se companheiros inseparáveis; quando não estavam estudando piano, estavam assistindo à televisão; papai parou com o mau-humor e já podíamos conversar como nos velhos tempos; aos poucos a vida foi voltando ao normal, papai chegou a ser até convidado a voltar ao conservatório, mas recusou; o seu aluno favorito, como chamava Dani, ocupava todo o seu tempo.
Dani era um garoto especial e as suas dificuldades eram um empecilho para o aprendizado; ele decorava a posição das notas, mas no dia seguinte tinha só algumas lembranças do que aprendera; a persistência de papai e a amizade que nascera entre eles eram o que não permitia que as aulas acabassem, para alegria de Thalita, que via ao seu filho pela primeira vez feliz, e ao lado de alguém que era muito próximo de um pai...
Era muito comum encontrar papai, Dani e Thalita no quintal jogando bola ou na piscina tomando sol...
Aos poucos, papai foi se afastando novamente de nós, e desta vez não ficamos preocupados ou magoados; talvez um pouco enciumados... Papai passava mais tempo com Dani e Thalita do que conosco; eles estavam viajando, iam à praia, ao campo, ao exterior e não foi nenhuma surpresa quando anunciou em um jantar com toda a família que iria se casar com Thalita.
Acho que no fundo todos já esperávamos por isso...


A igreja estava lindamente decorada, com vários tipos de flores, toda a família estava reunida, os amigos de papai pareciam nem se lembrar que, seis anos antes, papai parecia um farrapo humano.
Mas eu me lembrava muito bem e, aproveitando que estava na igreja, agradeci a Deus por Dani ter surgido em, nossas vidas...Ele realmente era um garoto muito especial...e com os olhos procurei por ele, sem o encontrar...
A marcha nupcial começou a tocar e a noiva entrou na igreja, com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso no rosto; o padre começou os ritos matrimoniais e, após o sim dos noivos, a marcha nupcial recomeçou; era tocada com maestria e emocionava, papai estava chorando e Thalita também; os dois olhavam para o alto, de frente para os convidados...
Segui os seus olhares e vi que, no segundo pavimento, meu irmãozinho Dani ao piano tocava a marcha nupcial; os convidados me vendo olhando emocionado seguiram também meu olhar e, ao reconhecerem Dani, as palmas começaram saudando o pianista e ao seu mestre que, vestido de noivo, beijava a noiva.
Naquele momento descobri o quanto Dani era especial, não pela síndrome de Down, mas sim por trazer a alegria de volta a tantas pessoas...apenas por existir!
 (Autor: Marcio Marcelo do Nascimento Sena)

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