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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Teus olhos entristecem.


Teus olhos entristecem. 

Nem ouves o que digo.

 Dormem, sonham, esquecem... 

Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste, 

Te disse tanta vez... 

Creio que nunca o ouviste 

De tão tua que és. 

 Olhas-me de repente 

De um distante impreciso 

Com um olhar ausente. 

Começas um sorriso.

 Continuo a falar. 

Continuas ouvindo 

O que estás a pensar,

Já quase não sorrindo. 

 Até que neste ocioso 

Sumir da tarde fútil, 

Se esfolha silencioso 

O teu sorriso inútil.


Fernando Pessoa

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